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SAC vs PRICE: qual escolher no financiamento de imóvel (com simulação)

Comparativo completo entre SAC e PRICE: como funcionam, quanto você paga em cada um, quando cada um faz mais sentido. Inclui simulador para comparar cenários.

Quorify Editorial11 de maio de 20267 min de leitura

Ao financiar um imóvel pela Caixa, Banco do Brasil, Itaú ou qualquer banco no Brasil, você precisa escolher entre dois sistemas de amortização: SAC (Sistema de Amortização Constante) ou PRICE (Tabela Price). A escolha não é trivial — em um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, a diferença pode passar de R$ 200 mil em juros pagos. Este guia mostra como cada sistema funciona, qual escolher por perfil financeiro e por que a maioria dos especialistas recomenda SAC quando você aguenta a parcela inicial.

Como funciona o SAC (Sistema de Amortização Constante)

No SAC, a parte do principal (amortização) é igual em todas as parcelas. O que muda é o juros, que diminui ao longo do tempo (porque você deve cada vez menos).

Resultado prático: parcela diminui mês a mês. Primeira parcela é a mais alta; última é a mais baixa.

Exemplo: financiamento de R$ 500.000, 360 meses, taxa 10% a.a.:

  • Mês 1: parcela ~R$ 5.555 (1.388 amortização + 4.167 juros)
  • Mês 60: parcela ~R$ 4.861 (1.388 amortização + 3.473 juros)
  • Mês 180: parcela ~R$ 3.819 (1.388 amortização + 2.431 juros)
  • Mês 360: parcela ~R$ 1.400 (1.388 amortização + ~12 juros)

Como funciona a Tabela PRICE

Na PRICE, a parcela é igual em todas as 360 mensalidades. O que muda internamente é a proporção juros vs amortização — começa quase tudo juros, vai virando amortização ao longo do tempo.

Resultado prático: parcela fixa o financiamento todo. Mais previsibilidade, mas paga MUITO mais juros no total.

Exemplo (mesmo financiamento): parcela ~R$ 4.388 fixos por 360 meses. No mês 1, R$ 4.167 são juros e só R$ 221 amortização. No mês 360, quase tudo amortização.

Comparativo direto: quanto você paga no total?

Para o mesmo financiamento (R$ 500k, 360 meses, 10% a.a.):

  • SAC: total pago ~R$ 1.252.000 (R$ 752k de juros). Primeira parcela R$ 5.555.
  • PRICE: total pago ~R$ 1.580.000 (R$ 1.080k de juros). Parcela fixa R$ 4.388.
  • Diferença em juros: R$ 328.000 — quase 65% do valor do imóvel original.

Quando SAC faz mais sentido

Escolha SAC se você se encaixa em pelo menos 2 destes:

  • Tem renda confortável para suportar a parcela inicial (que é ~25% maior que PRICE).
  • Quer minimizar o total pago em juros (objetivo financeiro de longo prazo).
  • Planeja amortização extraordinária com FGTS/13º (impacto maior no início).
  • Tem perfil avesso a longo prazo de dívida (vai quitar antes dos 30 anos).
  • Renda crescente esperada (parcela diminui, renda sobe — folga compostada).

Quando PRICE faz mais sentido

Escolha PRICE se:

  • Renda APERTADA no momento — parcela menor encaixa no orçamento.
  • Quer máxima previsibilidade (a mesma parcela por 30 anos facilita planejamento).
  • Renda estável esperada (sem grandes aumentos projetados).
  • Pretende vender o imóvel em 5-10 anos (curto prazo, diferença de juros é menor).
  • Tem outras prioridades de investimento mais rentáveis que o ganho potencial em juros.

Amortização extraordinária: o segredo para reduzir juros

Independente do sistema escolhido, amortizar extra no início reduz drasticamente o total pago. Por que? Porque os juros do mês são calculados sobre o saldo devedor — quanto menor o saldo, menos juros incidem nos meses futuros.

Estratégia comprovada: usar FGTS a cada 2 anos (permitido para SFH) + 13º + bônus para amortizar. Em SAC, R$ 10.000 amortizados no mês 24 economizam ~R$ 30.000 em juros até o fim do contrato.

Use o Simulador de Amortização do Quorify para ver o impacto exato: ele mostra a tabela mês a mês ANTES e DEPOIS de uma amortização extraordinária, e permite simular múltiplos aportes (a cada 6 meses, anual, etc).

Indexador TR vs IPCA: outra escolha importante

Além de SAC vs PRICE, você escolhe o indexador (a inflação que ajusta o saldo devedor):

TR (Taxa Referencial): historicamente próxima de zero há anos. Mais previsível, sem surpresa de inflação. Padrão Caixa.

IPCA: inflação real. Em períodos de inflação alta (10%+), o saldo cresce muito — risco real. Em inflação baixa (3-4%), pode sair mais barato que TR.

Para a maioria dos compradores, TR + SAC é a combinação mais segura. IPCA só compensa se você tem alta tolerância a risco e expectativa de inflação consistentemente baixa.

Conclusão

A escolha entre SAC e PRICE não é técnica apenas — depende do seu perfil financeiro, objetivos de longo prazo e tolerância à parcela inicial maior. Para a maioria dos compradores brasileiros, SAC é a escolha matematicamente superior (~30% menos juros pagos), MAS exige caixa para suportar as primeiras parcelas. Use o Simulador de Amortização para comparar cenários reais com seus números: valor do imóvel, prazo, taxa, e simulação de amortização extraordinária. Antes de financiar, calcule também o ITBI e custos cartoriais para entender o caixa total de saída, e o salário líquido para confirmar que a parcela cabe no orçamento real.

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