Simples Nacional 2026 — anexos I a V explicados e como calcular DAS
Tabela 2026 dos 5 anexos do Simples Nacional com alíquotas progressivas, fator R, como definir anexo certo, exemplos de cálculo DAS por faturamento e simulador online sem cadastro.
Pra quem tem PJ pelo Simples Nacional — e isso inclui freelancer com CNPJ, ecommerce pequeno, prestador de serviço, comércio local — entender em qual anexo seu CNAE cai é a diferença entre pagar 6% ou 19,5% sobre o faturamento. Em 2026 o regime continua com 5 anexos e regras de fator R que decidem quando serviço pode usar Anexo III (mais barato) em vez de Anexo V (mais caro). Este guia destrincha os 5 anexos, mostra como calcular DAS por faixa de faturamento, e cobre o fator R — variável que decide se você paga 6% ou 15,5% de alíquota inicial num serviço.
O que é Simples Nacional — versão honesta de 2 parágrafos
Simples Nacional é regime tributário unificado pra empresas com faturamento até R$ 4,8 milhões/ano. Em vez de pagar IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS e CPP separados, você paga uma guia única (DAS) baseada em alíquota progressiva por faixa de faturamento dos últimos 12 meses (RBT12).
A vantagem é simplicidade administrativa + alíquota inicial baixa pra micro e pequenas empresas. A desvantagem é que conforme você cresce, a alíquota efetiva sobe — em faturamento alto (próximo do teto), Lucro Presumido pode ficar mais barato. A escolha de anexo certo + fator R em serviço são as decisões que mais economizam dinheiro.
Os 5 anexos — em qual o seu CNAE cai?
Cada CNAE da Receita está enquadrado em um anexo específico. O anexo determina alíquota inicial e progressão. Resumo:
- Anexo I — Comércio: lojas, ecommerce, distribuidoras. Alíquota inicial 4%, vai até 19% no teto.
- Anexo II — Indústria: fabricação de produtos. Alíquota inicial 4,5%, vai até 30% no teto.
- Anexo III — Serviços (alguns): instalação, manutenção, agências de viagem, jardinagem, serviços com folha alta. Alíquota inicial 6%, vai até 33% no teto. Aqui está a chave do fator R.
- Anexo IV — Serviços (construção e congêneres): construção civil, serviços advocatícios, vigilância, limpeza. Alíquota inicial 4,5%, vai até 33%. Não calcula CPP (paga em separado).
- Anexo V — Serviços (intelectuais): TI, engenharia, medicina, contabilidade, marketing digital, design gráfico, consultoria — quando não passam pelo fator R. Alíquota inicial 15,5%, vai até 30,5%.
Fator R — variável que muda Anexo V pra III (e economiza muito)
Esta é a regra mais importante de planejamento tributário pra prestador de serviço no Simples: se você é PJ de serviço intelectual (TI, design, marketing, consultoria, engenharia, etc.) e tem folha de pagamento (incluindo seu pró-labore como sócio), e essa folha for igual ou maior que 28% do faturamento dos últimos 12 meses, você se enquadra automaticamente no Anexo III (alíquota inicial 6%) em vez do Anexo V (alíquota inicial 15,5%).
Fator R = Folha 12 meses / Faturamento 12 meses ≥ 28% → Anexo III.
Exemplo: dev freelancer PJ faturando R$ 240 mil/ano (R$ 20k/mês). Anexo V puro = ~15,5% sobre R$ 240k = R$ 37.200/ano. Mas se ele pagar pró-labore de R$ 5.600/mês pra si (= R$ 67.200/ano, que é 28% do faturamento), passa pra Anexo III com alíquota inicial 6% = R$ 14.400/ano. Economia: R$ 22.800/ano — pagando pró-labore que volta pra ele como sócio.
Atenção: pró-labore vira renda PF, sofre IRRF tabela progressiva + INSS 11% (até teto). Mesmo assim, no exemplo acima, ainda compensa.
Tabelas progressivas — alíquota não é fixa
Igual ao INSS e IRRF, a alíquota do Simples também é progressiva por faixa. O DAS não aplica alíquota nominal sobre faturamento — aplica alíquota efetiva calculada via fórmula que considera faturamento últimos 12 meses (RBT12) e a faixa em que ele caiu.
Fórmula DAS: Alíquota efetiva = [(RBT12 × alíquota nominal da faixa) − parcela a deduzir da faixa] / RBT12
Quanto maior o RBT12 dentro da faixa, mais próxima a alíquota efetiva fica da nominal. Faturamento pequeno dentro da faixa tem alíquota efetiva muito menor.
Exemplo cálculo DAS — Anexo III faturamento R$ 15k/mês
Considere prestador serviço, Anexo III, RBT12 = R$ 180.000.
RBT12 cai na 2ª faixa (R$ 180k está entre R$ 180k e R$ 360k — alíquota nominal 11,2%, parcela a deduzir R$ 9.360).
Alíquota efetiva = [(180.000 × 11,2%) − 9.360] / 180.000 = [20.160 − 9.360] / 180.000 = 10.800 / 180.000 = 6%.
DAS mês = faturamento mês × 6% = R$ 15.000 × 6% = R$ 900.
Por isso a primeira faixa (RBT12 até R$ 180k) sempre tem alíquota efetiva próxima da nominal inicial — empresa pequena paga inicial cheio. Conforme RBT12 sobe dentro da faixa, vai diminuindo o impacto da parcela dedutível.
Exemplo cálculo DAS — Anexo V faturamento R$ 25k/mês (TI sem fator R)
Considere desenvolvedor PJ, Anexo V (não atingiu 28% folha), RBT12 = R$ 300.000.
RBT12 cai na 2ª faixa Anexo V (alíquota nominal 18%, parcela a deduzir R$ 4.500).
Alíquota efetiva = [(300.000 × 18%) − 4.500] / 300.000 = [54.000 − 4.500] / 300.000 = 49.500 / 300.000 = 16,5%.
DAS mês = R$ 25.000 × 16,5% = R$ 4.125.
Se esse mesmo dev tivesse pró-labore suficiente pra atingir 28%, passaria pra Anexo III com alíquota efetiva ~9% — DAS = R$ 2.250. Economia R$ 1.875/mês = R$ 22.500/ano.
Quando Lucro Presumido fica mais vantajoso
Conforme RBT12 cresce, a alíquota efetiva do Simples sobe e pode ultrapassar Lucro Presumido. Sinais de que vale fazer a conta:
Serviço intelectual (Anexo V) faturando perto do teto (R$ 4,8M): alíquota efetiva passa de 25%. Presumido tributa serviço com base presumida de 32% × IRPJ 15% + CSLL 9% + PIS 0,65% + COFINS 3% = ~11,33% sobre faturamento + ISS variável. Costuma sair mais barato.
Comércio com margem alta: Anexo I no teto pode ficar próximo ou pior que Presumido (margem presumida 8% comércio).
Indústria com margem baixa: Anexo II costuma ganhar em todas as faixas — não migre.
Regra prática: peça simulação do seu contador comparando Simples Nacional × Lucro Presumido sempre que RBT12 passar de R$ 3M. Anexar essa simulação no planejamento anual evita pagar imposto a mais.
Simulador online sem cadastro
Pra parar de calcular manual com planilha (e errar parcela a deduzir), use a Simples Nacional do Quorify: digite faturamento mensal médio, anexo, e ela aplica tabela 2026 progressiva, retorna DAS mês a mês com decomposição (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, CPP, ICMS/ISS) — auxilia decisão de anexo + projeção anual.
Pra dimensionar pró-labore ideal pra atingir 28% fator R, use Salary Calculator pra ver impacto líquido após INSS + IRRF do pró-labore.
Erros comuns que custam dinheiro
Permanecer no Anexo V sem testar fator R: a maioria dos devs/designers/consultores PJ paga Anexo V sem nunca calcular se aumentar pró-labore os jogaria pro III. Custa milhares por ano.
Confundir RBT12 com faturamento mês: alíquota efetiva sobe pela soma de 12 meses, não pelo mês. Faturamento concentrado em 1 mês não muda alíquota se RBT12 estiver baixo.
Esquecer de excluir devoluções e cancelamentos: faturamento bruto pra cálculo é faturamento líquido (vendas − devoluções). Empresas com retorno alto pagam DAS a maior se não abater.
Não checar reenquadramento anual: a Receita reenquadra automaticamente anexo conforme fator R do ano anterior. Validar em janeiro evita surpresa.
Conclusão
Simples Nacional é simples de pagar (guia única) mas complexo de planejar. O fator R + escolha de anexo certo + projeção de faixa são as 3 decisões que mais economizam pra prestador de serviço PJ — pequenas mudanças (R$ 1.500 a mais de pró-labore) podem economizar R$ 20k/ano. Use o Simples Nacional pra simular antes de fechar o ano com seu contador, e o Salary Calculator pra dimensionar pró-labore com cálculo real de INSS e IRRF embutido. Planejamento anual com simulação por anexo é o ROI mais alto de qualquer hora gasta com contabilidade pessoal.
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